Desempenho

ECONÔMICO-FINANCEIRO

Contexto de mercado

O mercado global de metais apresentou cenário de recuperação ao longo do ano, com destaque para os negócios de zinco, que foram influenciados especialmente por cortes de produção e pelo esgotamento de duas grandes minas de zinco, uma na Austrália e outra na Irlanda.

Nos primeiros meses de 2016, o cenário mundial mostrava-se crítico, por conta de impactos como a queda do preço do petróleo, o risco de forte retração do crescimento da economia chinesa e o aumento da taxa de juros dos Estados Unidos. Em meados do ano, esses aspectos começaram a ser revertidos com estímulos econômicos na China, na Europa e nos Estados Unidos.

Desempenho ECONÔMICO-FINANCEIRO

Iniciativas para aumentar a produção de concentrado de zinco, entretanto, foram insuficientes para equilibrar oferta e demanda. Assim, depois de atingir no final de 2015 os patamares mais baixos dos últimos anos, o preço à vista do zinco apresentou recuperação, encerrando 2016 com um preço médio anual de US$ 2.095 por tonelada na London Metal Exchange (LME), 9% acima da média do ano anterior e aumento de 65% ao longo do ano. No ano, a produção global de concentrados de zinco ficou 7% abaixo de 2015, de acordo com dados da consultoria global Wood Mackenzie. Além disso, como o consumo permanece forte, os estoques de concentrados atingiram níveis historicamente baixos.

Situação diferente foi registrada em cobre, no qual o aumento da capacidade global e o nível moderado de rupturas de oferta levaram o preço a um recuo de 12% com relação à média de 2015, encerrando o ano a US$ 4.863 por tonelada. Já o preço à vista do LME para o chumbo foi de US$ 1.872 por tonelada, alta de 5%, principalmente devido ao déficit de concentrados, em especial como decorrência da produção global 2% menor de concentrados de chumbo. No entanto, embora a produção de chumbo esteja associada principalmente às minas de zinco, a rigidez do mercado não é tão vigorosa quanto a do zinco devido a um mercado mais relevante para matérias-primas secundárias, como as sucatas.

As expectativas para 2017 são de continuidade da escassez de oferta, o que deve influenciar a manutenção de preços mais atrativos para zinco e chumbo. Mas o cenário global é de instabilidade, influenciado por fatores como as ações de Donald Trump na Presidência dos Estados Unidos, movimentos de separação da União Europeia estimulados pela saída do Reino Unido do bloco e pelo comportamento da economia chinesa, com alto nível de endividamento e risco de desaceleração mais forte.

Preço médio do zinco na LME
(em US$/t)

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Preço médio do cobre na LME
(em US$/t)

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Preço médio do chumbo na LME
(em US$/t)

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Evolução do preço na LME em 2016
(em US$/t)

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Evolução do preço na LME em 2016
(em US$/t)

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Evolução do preço na LME em 2016
(em US$/t)

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Produção e vendas

A produção de concentrados de zinco, cobre e chumbo, medida com base no teor de metal contido, totalizou 518,8 mil toneladas no acumulado do ano, com destaque para o aumento da produção em Atacocha, após o início da operação da cava San Gerardo, e em Vazante, com os incrementos de produção proporcionados por Extremo Norte.

Produção de concentrados
(mil toneladas)

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As vendas de produtos de zinco processados nos smelters da Votorantim Metais totalizaram 610,6 kt em 2016, aumento de 3% em relação ao ano anterior, favorecido pelo bom desempenho das exportações brasileiras de aço galvanizado.

Venda de produtos do smelter
(mil toneladas)

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Resultados operacionais
(em US$ milhões)

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*Valores provenientes de ganhos na venda de investimentos e depreciação de ativos são considerados pela Administração como excepcionais e excluídos do EBITDA ajustado.

Em 2016, a receita líquida da Votorantim Metais totalizou US$ 1.844 milhões (equivalente a R$ 6.422 milhões ao câmbio médio do ano), 3% acima do valor registrado em 2015, influenciada principalmente pelo aumento do volume de vendas, sobretudo dos produtos de zinco oriundos da metalurgia e dos concentrados de chumbo, e da recuperação dos preços internacionais desses dois
metais. Redução dos preços de cobre e também de alguns coprodutos da metalurgia limitou parcialmente a receita líquida no ano.

O custo dos produtos vendidos totalizou US$ 1.381 milhões, 2% menos do que em 2016. Redução no uso de concentrados importados nos smelters e ganhos de eficiência operacional contribuíram para a queda. O consumo de concentrados importados em Juiz de Fora foi 11% menor do que em 2015 devido à maior utilização de matérias-primas secundárias. Na mineração, Cerro Lindo elevou a capacidade de tratamento, enquanto Atacocha e El Porvenir obtiveram ganhos do processo de integração das duas minas.

Despesas de vendas, gerais e administrativas aumentaram 15% em 2016. A mudança organizacional da empresa fez com que despesas corporativas anteriormente distribuídas entre empresas da Votorantim Metais e da CBA fossem alocadas exclusivamente na Votorantim Metais em 2016. Além disso, as despesas de vendas aumentaram em decorrência dos maiores volumes vendidos.

Outros resultados operacionais também contribuíram para a queda do EBITDA de 2016 em relação a 2015. Provisões referentes a obrigações ambientais subiram de US$ 12 milhões em 2015 para US$ 75 milhões em 2016. Desse total, US$ 69 milhões foram reconhecidos após atualização dos planos de descomissionamento do smelter de Três Marias (US$ 44 milhões) e da unidade de ácido sulfúrico de Fortaleza de Minas (US$ 25 milhões).

A utilização de instrumentos financeiros para mitigar o risco da volatilidade dos preços internacionais também resultou em queda de US$ 34 milhões no desempenho operacional. Despesas com projetos em fase de viabilidade aumentaram de US$ 29 milhões, em 2015, para US$ 46 milhões, em 2016.

A combinação entre o aumento da receita líquida e a queda no custo dos produtos vendidos resultou em um aumento de 20% da margem de contribuição bruta. Entretanto, maiores despesas devidas à reestruturação organizacional, o aumento das provisões, o impacto dos instrumentos de hedge e as despesas com projetos em fase de pouca maturidade resultaram em EBITDA de US$ 380 milhões em 2016, 12% menor do que em 2015. A margem EBITDA foi de 20,6% em 2016.

RESULTADOS FINANCEIROS
Liquidez e endividamento

Perfil da dívida
(US$ milhões)

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Bancos Bonds
BNDES Outros

A dívida bruta da Votorantim Metais foi de US$ 1,2 bilhão em 2016, sendo que 61% do valor foi tomado em bancos internacionais e 31% é referente a um título de dívida (bond) emitido pela Milpo em 2013. Essas duas partes da dívida foram tomadas em dólares norte-americanos, moeda funcional da Votorantim Metais, evitando a exposição da companhia às variações cambiais. Apenas 8% da dívida total da empresa, referente a financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), está atrelada ao real.

A parcela da dívida tomada em bancos faz parte de um programa de renegociação promovido em 2016 com o objetivo de que as garantias dos empréstimos, anteriormente atreladas à Votorantim S.A., passassem a ser restritas apenas à Votorantim Metais. O novo perfil da dívida é mais um aspecto importante para a consolidação da governança da empresa no que diz respeito à relação com o acionista majoritário. Além disso, os vencimentos das dívidas, que anteriormente estavam concentrados nos anos de 2018 e 2019, foram redistribuídos para o período de 2018 a 2021. Em 2023, está previsto o vencimento de US$ 345 milhões referentes a um bond emitido pela Milpo em 2013.

Maturidade da dívida
(US$ milhões)

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Dívida líquida/EBITDA
(razão)

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Em dezembro de 2016, a Votorantim Metais reportou dívida líquida de US$ 131,7 milhões, resultando em uma relação entre dívida líquida e EBITDA de apenas 0,35 vez.

Caixa

Caixa líquido advindo das atividades operacionais
(US$ milhões)

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Variação do caixa no ano
(US$ milhões)

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O caixa líquido proveniente das atividades operacionais totalizou US$ 570 milhões em 2016, aumento de 30% com relação ao ano anterior. A maior parte da variação pode ser explicada pelo ingresso de US$ 250 milhões referentes a uma transação de silver streaming.

Por meio da subsidiária Milpo UK Limited, a empresa fez um acordo com a Triple Flag Mining Finance referente a 65% da produção de prata na mina de Cerro Lindo. Essa porcentagem cairá para 25% após a entrega de 19,5 milhões de onças de prata para a Triple Flag, o que deve acontecer no prazo de dez anos. Nessa transação, foram recebidos US$ 250 milhões em pagamento antecipado e, adicionalmente, a empresa receberá 10% do preço da prata estabelecido no momento em que cada onça de prata for entregue à Triple Flag durante a vigência do acordo de streaming.

A variação do caixa e dos equivalentes foi de US$ 282 milhões em 2016, por conta das operações de silver streaming e de renegociação da dívida da empresa, mencionadas acima. Como resultado da maior geração de caixa, a empresa pagou US$ 127 milhões em dividendos aos acionistas.

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